quinta-feira, 3 de agosto de 2017

ANDEBOL DE LUTO

Este é o pior dos motivos que me podia levar a escrever.
O falecimento do Carlos Lourenço é uma notícia que me abala profundamente, não só pelo Homem do Andebol que ele sempre foi, mas pelo fabuloso Amigo que se revelou ser.
Dos melhores colaboradores que a Associação de Andebol de Aveiro poderia alguma vez ter, soube juntar a componente humana de uma forma sempre superior e altruísta, algo que quem conviveu de perto com ele pode perfeitamente atestar. Não tenho qualquer dúvida que o Carlos Lourenço foi das melhores pessoas que o Andebol colocou na minha vida, e todos os segundos que passei com ele foram um privilégio para mim.
Hoje não é só o Andebol que está mais pobre, é a vida de todos aqueles que de perto com ele conviveram.
Até sempre, meu Amigo.

domingo, 25 de junho de 2017

VÍDEO ÁRBITRO, O ESPETÁCULO E A CULTURA DESPORTIVA

Um post devidamente cuidado e fundamentado sobre estes temas (tão, mas tão relacionados!) seria absolutamente gigantesco. Vou tentar apenas partilhar algumas das minhas ideias, sem sequer ousar procurar ser consensual.

Orgulho-me de pertencer a uma modalidade que privilegia o espetáculo em todas as alterações às regras que introduz, e que aceita que os árbitros são parte integrante do espetáculo, nem mais nem menos que qualquer outro interveniente. Orgulho-me de pertencer a uma modalidade em que os árbitros são quase sempre respeitados pelos atletas e treinadores, resultado de uma cultura desportiva evoluída. E é isso que me incomoda profundamente, o ver que, em outras modalidades como o futebol, se continua a encarar o árbitro como o cancro da modalidade, como o grande mal que é preciso resolver, como pessoas sem caráter que entram em campo sem dignidade. 
Compreendo as pessoas que dizem que o vídeo árbitro vem acrescentar justiça ao jogo. Sim, se estiverem definidos critérios de intervenção e ajuizamento (algo que ainda ninguém percebe) e se forem claras as situações em que este sistema funcionar e atuar (ainda são tudo menos isso). Nem sequer vou discutir as situações que até agora já se viram. Interessa-me mais o princípio da introdução das novas tecnologias.
Encarar o árbitro como o único fator de injustiça no resultado de um jogo é aberrante e ofensivo. É desculpabilizar os jogadores e treinadores ou, no mínimo, de atenuar as suas responsabilidades. Confesso que me faz muita confusão ouvir tantas vezes o cinismo do "vamos ajudar os árbitros a decidir" e poucas vezes "precisamos de trabalhar melhor", ouvir tantas vezes o "a culpa é do árbitro por não ter marcado penalty" e poucas vezes "a culpa é dos meus jogadores que falharam meia dúzia de oportunidades de baliza aberta". 
Além disso, quantas vezes já vimos casos em que decisões do vídeo árbitro são completamente dúbias, em que nem repetições atrás de repetições ajudam a esclarecer, e no fim acabamos por continuar a ter decisões baseadas em critérios subjetivos? Assim, o próprio princípio do vídeo árbitro FALHA.

E que efeitos tem isto no espetáculo? Bem, parece-me incontornável que a procura da justiça arruina o espetáculo. Aqueles minutos de espera por decisões, certas ou erradas, fazem desvanecer a emoção, fazem o espetáculo e a espontaneidade evaporar. E isto transporta-me automaticamente para a nossa cultura desportiva.

Que preço estamos dispostos a pagar para "procurar justiça"? Estamos assim tão desesperados? A sério que estamos prontos para abdicar da espetacularidade do Desporto em nome de uma suposta justiça que nem sempre vem?
Isto é a cultura desportiva que é incutida no nosso povo, por dirigentes nem sempre bem formados e por uma comunicação social que não cumpre o seu papel. O destaque dado aos erros dos árbitros em programas televisivos de qualidade mais que duvidosa, em vez de dar o devido destaque aos aspetos mais belos do jogo e das verdadeiras estrelas, que são os jogadores, envenenam a mente das pessoas e fazem-nos crer que os árbitros são os culpados de todas as derrotas e a causa de todas as incompetências.

Espero que o Andebol não caia na tentação crescente de introduzir tecnologias indiscriminadamente na condução de um jogo. Sim, há coisas que podem ser úteis. Mas utilizemos só aquelas que nos possam ajudar, em vez de "desajudar".
Se tal vier a acontecer, bem, aprendamos a lidar com a evolução. Enquanto não acontecer, só posso desejar que continuemos a encarar o Desporto com o que de melhor ele tem.

terça-feira, 25 de abril de 2017

SANÇÕES A OFICIAIS - Cumulatividade e Regressividade

Estas são daquelas questões que, por mais anos que passem, parece que nunca ficam esclarecidas. E por mais vezes que voltemos a isto, vai sempre haver alguém com dúvidas, dos mais novos aos mais velhos, árbitros ou não.

E as questões são:
  1. Como acumulam as sanções aos Oficiais?
  2. É possível regredir nas sanções aos Oficiais?
Então, vamos por partes, nem que seja preciso regressar ao essencial da regra.

-- x --

1.
É possível mostrar 3 tipos de sanções aos Oficiais de uma equipa:
  • Advertência
  • Exclusão
  • Desqualificação
O conceito de "sanção progressiva" neste caso não é aplicado ao nível pessoal, mas sim aos elementos do banco como um todo (jogadores suplentes fora desta questão). Logo, após uma advertência ser mostrada, mais nenhum Oficial de equipa pode ser advertido. Não é opcional. Só pode haver um cartão amarelo ao conjunto de todos os elementos do banco de uma equipa. 
O mesmo aplica-se à exclusão, que vem a seguir na ordem de progressividade. 
E depois aplica-se a desqualificação, com o máximo de desqualificações a elementos do banco de uma equipa correspondente ao número de elementos que lá estão.
Por isso, como sumário, temos:
  • Advertências a Oficiais: máximo 1 por equipa
  • Exclusões a Oficiais: máximo 1 por equipa
  • Desqualificações a Oficiais: sem limite
-- x --

2.
E depois de se dar uma sanção "mais forte", pode voltar-se atrás? SIM, PODE!
Esta é uma questão à qual ainda menos pessoas sabem dar resposta.
Trocando tudo por miúdos:
  • Após uma exclusão, é possível mostrar um cartão amarelo, desde que não seja ao elemento que foi excluído;
  • Após uma desqualificação, é possível mostrar um cartão amarelo e uma exclusão, desde que não sejam ao mesmo elemento que foi desqualificado (obviamente).
No que toca à regressividade, entende-se que os Oficiais funcionam da mesma forma que acontece com os jogadores. Se o jogador nº 5 for excluído, posso depois advertir o jogador nº 2, por exemplo. Aqui é igual. Se o Oficial A for excluído, posso mais tarde advertir o Oficial C.

Optei por deixar o texto da regra de fora deste post. Se se proporcionar, faço novo post incluindo o que está escrito no livro de regras.
Para já, importa-me apenas procurar deixar clara uma questão que normalmente não o é.

domingo, 2 de abril de 2017

ONDE ESTÁ O RESPEITO?

Mais uma agressão a um árbitro.

Não sei quanto tempo mais vai ser preciso até as autoridades competentes tomarem medidas sérias no combate a este clima de terror sobre as arbitragens.
É verdade que é no futebol que se dão os casos mais graves, mas o ambiente alastra-se com facilidade às outras modalidades.

Ainda vivo com a esperança de que, um dia, os principais agentes desportivos percebam que os árbitros são pessoas com vida própria, com família, quase todos com atividade profissional ou estudantil, e que fazem muito esforço para levar a cabo com sucesso uma tarefa cada vez mais difícil.

A falta de respeito pela atividade dos árbitros é cada vez mais gritante. Não há tolerância para o erro. É cada vez mais fácil criticar, julgar e ofender. E esse é um cancro crescente nos recintos desportivos: a gratuitidade do insulto, da ofensa, da ameaça. É fácil ofender um árbitro e a sua família, é prática comum recorrer-se à ameaça física como forma de coação. E nos últimos tempos, já não é só a ameaça física e passa-se à prática com facilidade.

Quem é que eu culpo?
Aqueles que acicatam ódios e que pensam que a melhor forma de um adepto defender o seu clube é odiar o outro seu rival. Mas o Desporto é isso? O Desporto como eu o vejo não. O Desporto como eu o vejo é uma competição sadia para ser melhor que o outro, não uma forma de denegrir o outro para lhe passar por cima. O Desporto como eu o vejo joga-se dentro do respetivo recinto desportivo, não fora. 
E o papel da comunicação social aqui não é de esquecer. Na luta pelas audiências, não vale tudo. Programas televisivos que só servem os interesses de alguns clubes e ignoram por completo os outros todos não são positivos. Programas em que alguns comentadores fanáticos levam ao extremo as suas formas de pensar não são positivos. Programas em que se passam repetições dos lances duvidosos cem vezes por programa e em que as decisões dos árbitros são discutidas até à exaustão não são positivos. Programas em que se julga a seriedade de pessoas com análises frame a frame não são positivos. Longe vai o tempo em que o Domingo Desportivo era um programa útil em que se falava de Desporto e nada mais...

Gostava que os árbitros tivessem mais tempo de antena. Não para se defenderem de nada, mas para explicar a Arbitragem aos olhos das pessoas. Claro que o mais cego dos adeptos nunca vai entender nada. Esse só vê as suas cores e nunca tira as palas. Mas acredito que muita gente iria conseguir compreender melhor "o lado de cá".

Os árbitros erram?
Sim, bastante. Mas não mais que os treinadores, os jogadores e os dirigentes. Os árbitros são homens e mulheres com dignidade, que lutam por uma carreira e por uma atividade, que tudo fazem para que o jogo decorra dentro do maior espírito de paz e justiça entre todos.

Há árbitros maus?
Sim, muito maus. Mas não mais do que qualquer outra atividade. E é por isso que um engenheiro, um advogado, um padeiro ou um empregado de mesa são insultados e agredidos? Caramba, não. Erros ou incompetência não são motivo para se agredir quem quer que seja.

Vergonha para quem nos acusa assim.

Honra seja feita àqueles que nos compreendem e, mesmo que não concordem com as nossas decisões, as aceitam com respeito e fair-play.

RESPEITO NÃO TEM PREÇO!

domingo, 12 de fevereiro de 2017

FORÇA, PASSOS MANUEL

Já todos sabemos o que aconteceu ontem na A1, com a equipa do Passos Manuel. 
Nestes momentos sentimos quão frágeis e sujeitos todos estamos a estas coisas, porque as centenas de jogos semanais que a todos nos envolvem nos obrigam a andar sempre de um lado para o outro.
É por isso mesmo que todos temos de ser do Passos Manuel por estes dias. 
Graças a Deus não aconteceu nada de grave e todos os envolvidos já estão em casa.

Ao Passos Manuel em geral e à equipa senior feminina em particular, faço votos que a recuperação seja rápida e que voltem depressa à competição.

domingo, 8 de janeiro de 2017

NOVAS REGRAS - Jogadores de campo

Na sequência dos últimos 4 posts:
escrevo hoje sobre a possibilidade de as equipas atuarem sem guarda-redes, com 7 jogadores de campo.

Sem dúvida que esta alteração vai no sentido de dar mais liberdade tática aos treinadores, mas também acarreta os seus riscos. Se, por um lado, é permitido a uma equipa organizar o seu ataque de forma diferente, por outro lado atacar com a baliza deserta pode provocar dissabores em qualquer perda de bola. Mas esta, como disse, é uma decisão de quem comanda as equipas.

No que toca aos árbitros, tudo o que é necessário saber é que sem guarda-redes na baliza, a probabilidade de estar criada uma clara oportunidade de golo (condição básica para ser assinalado livre de 7m) é muito alta. A partir daí, tomar-se-á a decisão correspondente à situação criada.


Procedimento dos árbitros

  • Se um defesa entra propositadamente na área de baliza, SEM GR,  para impedir um golo, deve ser assinalado livre de 7m e, muito provavelmente, deve ser atribuída sanção disciplinar ao defesa, devido a conduta antidesportiva;

  • Só o GR pode efetuar um lançamento de baliza.
    Ou seja, se uma equipa efetua um remate para uma baliza deserta e a bola sai ao lado da baliza, terá obrigatoriamente de entrar em campo um GR para poder efetuar o respetivo lançamento de baliza, sem necessidade de se parar o tempo de jogo. Nestes casos, se ocorrer o atrasar deliberado, por motivos estratégicos, da entrada do GR, os árbitros devem proceder a um aviso verbal ou a uma ação disciplinar sobre o responsável, seja o Oficial ou o próprio GR;

  • Se a equipa adversária recupera a posse de bola e sofre uma falta dita "normal", não há lugar a livre de 7m.
    No entanto, se o jogador que recupera a bola tentar rematar para a baliza vazia, deverá ser assinalado livre de 7 metros. Para definir o conceito de "baliza vazia", entende-se "GR fora da área de baliza". Considera-se que um jogador tenta rematar para a baliza vazia quando, no momento da falta, já está com o braço armado em posição de remate.
    Nestes casos, a existência de sanção disciplinar depende da falta que for cometida;

  • Nos casos em que há um lançamento livre para ser executado após o sinal final, e a equipa que está na defesa tem 7 jogadores de campo, é autorizada a substituição para entrada de um GR.
Para todos os casos descritos em cima, considero que a equipa que ataca está com 7 jogadores de campo.

domingo, 23 de outubro de 2016

NOVAS REGRAS - Cartão Azul

Na sequência dos últimos 3 posts:

escrevo hoje sobre a aplicação do cartão azul.

Esta questão surgiu para que houvesse mais clareza sobre quando os árbitros iriam escrever relatório escrito sobre uma determinada ação, mostrando assim publicamente a intenção de o fazer.

No entanto, e até porque este é um ano de transição, a orientação para os árbitros é de exibirem o cartão azul em TODAS AS DESQUALIFICAÇÕES DIRETAS (não misturar com os casos em que o cartão vermelho surge na sequência de uma 3ª exclusão).

Procedimento dos árbitros
  • Desqualificação direta
    1. Os árbitros poderão reunir-se para tomar uma decisão conjunta;
    2. O cartão vermelho é exibido;
    3. O cartão azul é exibido;
    4. É efetuado relatório escrito;
    5. Um eventual castigo é decidido pelas entidades competentes.
  • Desqualificação por 3ª exclusão
    1. O cartão vermelho é exibido apenas devido à 3ª exclusão;
    2. Não é exibido cartão azul;
    3. Não é efetuado relatório escrito.
    NOTA: Assumo aqui que o atleta entretanto não tem qualquer atitude antidesportiva que justifique medidas adicionais, o que provocaria uma atuação diferente.

Ou seja, na base da regra, nada é alterado.
A exibição do cartão azul é um gesto meramente informativo, e indica que os árbitros vão escrever o que quer que tenha motivado a desqualificação. Não é sinal de qualquer sanção adicional, o que poderá ou não acontecer.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

NOVAS REGRAS - Últimos 30 segundos

Na sequência dos 2 últimos posts:

escrevo hoje sobre as novas regras, relativas às alterações que respeitam aos últimos 30 segundos de jogo.

Esta regra é provavelmente a que traz mais justiça ao jogo, entre todas as que foram alteradas.
O sucesso da regra do último minuto foi parcial, mas em muitos casos havia um sentimento de impunidade porque as condutas antidesportivas graves que eram cometidas num jogo acabavam por ser apenas sancionadas com jogos de suspensão nos jogos seguintes. Isso dava margem para que essas situações ainda continuassem a acontecer.

A alteração diz que as condutas antidesportivas que impeçam a criação de uma oportunidade de golo e que ocorrerem nos últimos 30 segundos devem passar a ser punidas com desqualificação e livre de 7 metros.
Esta regra aplica-se nos últimos 30 segundos DO JOGO ou de cada prolongamento, quando necessário, nunca em intervalos.

Procedimento dos Árbitros
  • Os árbitros, ao detetarem uma situação que se enquadre nestes casos, deverão parar o tempo de jogo, mostrar cartão vermelho ao elemento infrator, depois exibir o cartão azul, e então dirigir-se para a linha de lançamento de 7m.
Notas importantes
  • O livre de 7m só pode ser assinalado se o TEMPO estiver a correr.
  • O livre de 7m só pode ser assinalado se houver uma desqualificação prévia.
    Livres de 7m + 2 min podem acontecer, obviamente, mas derivados a situações naturais do jogo.
  • O resultado do jogo deixa de ser importante para a tomada de decisão. É indiferente estar 20x20 ou 40-10.
Dupla Vantagem
Esta regra levanta outra questão que não será fácil de gerir. É aberto o conceito de "dupla vantagem", válida apenas para UM passe. Consideremos o caso de um jogador que sofre uma falta que se enquadra na lei dos últimos 30 segundos. Se o jogador, apesar de sofrer a falta...:
  • Remata e...
    - marca: lei da vantagem normal; golo; desqualificação, cartão azul
    - falha: dupla vantagem; livre de 7m; desqualificação, cartão azul
  • Passa a um colega e este...
    - remata e marca: lei da vantagem normal; golo; desqualificação, cartão azul
    - remata e falha: dupla vantagem; livre de 7m; desqualificação, cartão azul
    - passa a bola: livre de 7m; desqualificação, cartão azul
Destaco o facto de a decisão técnica e a decisão disciplinar serem independentes. Ou seja, a decisão disciplinar mantém-se sempre, qualquer que seja a decisão técnica a tomar.

domingo, 2 de outubro de 2016

NOVAS REGRAS - Jogo Passivo

O meu último post (NOVAS REGRAS - Jogador lesionado) foi muito lido, o que revela o interesse de todos pelas alterações às regras.

Hoje falo sobre o jogo passivo. A alteração surgiu com a necessidade de os árbitros terem um critério mais objetivo após exibirem o gesto de advertência de jogo passivo, até ao momento de inverter o sentido de jogo.
Por isso, a partir desta época, uma equipa tem no máximo 6 passes para poder organizar um ataque rápido e rematar à baliza.

 À esquerda:
Sinal Manual 17






À direita:
Sinal Manual 11


Procedimento dos Árbitros
  • Até ao Sinal Manual 17 (advertência de jogo passivo) nada se altera. Considera-se que até aqui os árbitros têm seguido um critério coerente. O gesto deve ser efetuado quando um jogador tiver posse de bola, para uma mais fácil contagem dos passes.
  • Após o Sinal Manual 17, a equipa tem direito a efetuar 6 passes. Após os 6 passes (ou seja, no momento em que o 7º passe é concluído), o árbitro deve efetuar o Sinal Manual 11 (jogo passivo) e inverter o sentido de jogo.
Contagem dos 6 passes
Para a contagem dos 6 passes importa referir que:
  • A responsabilidade da contagem é dos árbitros.
  • Não é obrigatório "esgotar" os 6 passes. Tal como nas épocas anteriores, o jogo passivo pode ser assinalado em qualquer momento, se houver uma tentativa deliberada de não atacar a baliza.
  • A contagem não é interrompida em caso de haver, a meio da contagem, um lançamento livre ou de reposição, ou um pedido de time-out.
  • Se um passe não for concluído por intervenção faltosa de um defesa, esse passe não é contabilizado.
  • Se a defesa intercetar a bola após um passe, e esta ressaltar para um qualquer jogador do ataque (incluindo aquele que tinha efetuado o passe), é contabilizado um passe.
Após o 6º passe
  • Em "jogo corrido", após a conclusão do 7º passe o jogo deve ser imediatamente invertido.
  • No entanto, se após o 6º passe tiver de ser executado um lançamento (livre ou de reposição), é permitido um passe adicional, não sendo por isso obrigatório que a execução desses lançamentos se processe com um remate direto à baliza.
  • Se, após 6 passes, surgir um remate que embata no bloco e ressalte para o ataque de novo, é considerado que esse bloco se enquadra na categoria de "passe adicional". Assim, o jogador que recebe o ressalto tem de rematar à baliza sem possibilidade de passe.
  • O "passe adicional" só é permitido UMA ÚNICA VEZ ao longo do mesmo ataque.
Outras situações
Os árbitros não podem permitir um aumento da agressividade na defesa só porque a equipa atacante está na iminência de jogo passivo. Por isso mesmo, os árbitros não devem apenas concentrar-se em "contar passes" e descurar a ação dos defesas. Um aumento ilegal de agressividade deve ser punido disciplinarmente.

Em Portugal, esta regra aplica-se em todos os jogos de todos os escalões.

domingo, 25 de setembro de 2016

NOVAS REGRAS - Jogador lesionado

Esta é uma das regras que penso vir trazer maior grau de justiça e favorecer mais o espetáculo.
Quantas vezes os árbitros pararam o tempo e depois vieram a constatar que isso se revelou totalmente desnecessário, ou porque os árbitros se precipitaram ou porque o atleta simulou uma lesão só para quebrar o ritmo de jogo, e quantas vezes essas paragens se tornaram excessivamente prolongadas?
Com a introdução da nova regra, é certo que vão acontecer situações de injustiça para com algum jogador efetivamente lesionado após uma ação que os árbitros não avaliaram corretamente, mas serão muitos mais os casos em que o jogo se tornará mais limpo, mais fluido e mais justo. Necessariamente, mais espetacular.

Mas vamos falar sobre a regra.
A alteração diz que um jogador que necessite de assistência médica, dentro do campo, deverá sair  do terreno de jogo durante 3 ataques da sua equipa. Há exceções, de que falaremos a seguir.

À esquerda:
SINAL MANUAL 15






À direita:
SINAL MANUAL 16


Procedimento dos Árbitros
Quando os árbitros virem um atleta lesionado, terão de proceder de acordo com a situação.

  • Lesão visível
    Os árbitros interrompem de imediato o jogo através do Sinal Manual 15 e dão permissão para a entrada de 2 elementos do banco da equipa em causa, através do Sinal Manual 16.
  • Lesão não visível
    Os árbitros deverão aproximar-se do atleta lesionado e questioná-lo sobre se este necessita, efetivamente, de assistência médica dentro do campo.
    1. Se este diz que não, então o atleta deverá levantar-se e o jogo deverá prosseguir;
    2. Se este diz que sim, então os árbitros deverão efetuar a sequência e sinais manuais descrita no ponto de cima, autorizando a assistência médica ao jogador. Neste caso, deve manter-se a diretiva que os cuidados médicos deverão durar, tal como era, o mínimo de tempo possível. Assim que se puder levantar, o jogador deverá cumprir uma série de 3 ataques da sua equipa fora do terreno de jogo.
Comportamento dos Oficiais
Em nenhum caso os Oficiais da equipa podem recusar a entrada em campo após os árbitros efetuarem o Sinal Manual 16. Em caso de recusa, o Oficial A dessa equipa deve ser sancionado com sanção progressiva.

Contagem dos Ataques
Várias considerações devem ser feitas:

  • A contagem dos ataques deve estar a cargo do Delegado ao jogo, com a colaboração dos Oficiais de Mesa.
  • É importante referir que a definição de "um ataque" é "uma posse de bola". Uma tentativa de interceção, com a bola a ressaltar novamente para o ataque, não é um ataque.
  • Cada meio tempo coloca fim à contagem dos 3 ataques. Se um atleta estiver fora do terreno de jogo devido a este motivo quando chegar um intervalo (ou fim dos 60 minutos, ou prolongamentos e seus intervalos) e o jogo não tiver terminado, esse atleta poderá reentrar em campo no início do período seguinte do jogo.
  • A entrada antecipada relativamente aos 3 ataques de um jogador que deveria esperar mais tempo para poder entrar origina uma exclusão, sendo considerada como substituição irregular. No final do tempo de exclusão, o atleta poderá entrar em campo, independentemente do número de ataques da sua equipa.

Outras Situações
Outras ressalvas devem ser feitas:
  • Quando um jogador fica lesionado após uma situação que origina sanção disciplinar ao adversário, esta regra não se aplica.
  • Se um guarda-redes for atingido na cabeça, esta regra não se aplica. 
  • Em situações em que há um jogador lesionado de cada equipa, os árbitros devem fazer dois Sinais Manuais 16, e ambos os atletas devem sair durante 3 ataques da sua respetiva equipa.

Em Portugal, esta regra aplica-se apenas aos campeonatos da 1ª divisão masculina e feminina, às supertaças masculina e feminina, e às taças de Portugal masculina e feminina, após os 16-avos de final.